16/02/13

telegrama aos vampiros



o meu voto
é
non lexitimar a ninguén 
para que me mangonee
co meu voto
e ese é
o meu voto

(non entendo por que
non o contades como tal
cando facedes os recontos)

tampouco entendo
por que un político corrupto
non queda automaticamente
inhabilitado para a función pública
dende o momento en que se demostra o seu delito e hai unha sentencia firme emitida por un xuiz
nun estado de dereito
que non pode ser máis retorcido

nin entendo
por que gozan de impunidade
os ladróns de diñeiro público
e asasinos que decretan  bombas ou deshaucios
contra xente que nin sequera coñecen



vós dicides: ETA mata
eu dígovos: VÓS tamén!
pero eu non sei quen paga a ETA
a VÓS si que o sei
estades mantidos coa nosa ignorancia
estades lexitimados coa nosa colaboración
estades cebándovos co noso consentimento
e cada unha das vosas accións mafiosas
convértenos a todos nós
en sicarios


pero a todo porco lle chega o seu San Martiño
aquí, en Nova Iork e en Lariño
e cando chegue a vosa hora
botareivos, claro que vos botarei
botareivos dereitiños
na pota dun caldo bárbaro
para que coma o diaño









Vampiros
José Afonso

No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos Com pés veludo
Chupar o sangue Fresco da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis]

A toda a parte Chegam os vampiros
Poisam nos prédios Poisam nas calçadas
Trazem no ventre Despojos antigos
Mas nada os prende Às vidas acabadas

São os mordomos Do universo todo
Senhores à força Mandadores sem lei
Enchem as tulhas Bebem vinho novo
Dançam a ronda No pinhal do rei

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada

No chão do medo Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos Na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota O sangue da manada

Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhe franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada