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27/05/12

ULTIMATUM de Alvaro de Campos








ULTIMATUM  de Álvaro de Campos


Mandado de despejo aos mandarins da Europa! Fora.
Fora tu , Anatole France , Epicuro de farmacopeia homeopática, tenia-Jaurès do Ancien Régime, salada de Renan-Flaubert em loiça do século dezassete, falsificada!
Fora tu, Maurice Barrès, feminista da Acção, Châteaubriand de paredes nuas, alcoviteiro de palco da pátria de cartaz, bolor da Lorena, algibebe dos mortos dos outros, vestindo do seu comércio !
Fora tu, Bourget das almas, lamparineiro das partículas alheias, psicólogo de tampa de brasão, reles snob plebeu, sublinhando a régua de lascas os mandamentos da lei da Igreja!
Fora tu, mercadoria Kipling, homem-prático do verso, imperialista das sucatas, épico para Majuba e Colenso, Empire-Day do calão das fardas, tramp-steamer da baixa imortalidade !
Fora ! Fora !
Fora tu, George Bernard Shaw, vegeteriano do paradoxo, charlatão da sinceridade, tumor frio do ibsenismo, arranjista da intelectualidade inesperada, Kilkenny-Cat de ti próprio, Irish Melody calvinista com letra da Origem das Espécies!
Fora tu, H. G. Wells, ideativo de gesso, saca-rolhas de papelão para a garrafa da Complexidade !
Fora tu, G. K. Chesterton, cristianismo para uso de prestidigitadores, barril de cerveja ao pé do altar, adiposidade da dialéctica cockney com o horror ao sabão influindo na limpeza dos raciocínios !
Fora tu, Yeats da céltica bruma à roda de poste sem indicações, saco de podres que veio à praia do naufrágio do simbolismo inglês!
Fora ! Fora !
Fora tu, Rapagnetta-Annunzio, banalidade em caracteres gregos, «D. Juan em Patmos» (solo de trombone)!
E tu, Maeterlinck, fogão do Mistério apagado!
E tu, Loti, sopa salgada, fria!
E finalmente tu, Rostand-tand-tand-tand-tand-tand-tand-tand!
Fora! Fora! Fora!
E se houver outros que faltem, procurem-nos aí para um canto!
Tirem isso tudo da minha frente!
Fora com isso tudo! Fora!
Aí ! Que fazes tu na celebridade, Guilherme Segundo da Alemanha, canhoto maneta do braço esquerdo, Bismarck sem tampa a estorvar o lume ?!
Quem és tu, tu da juba socialista, David Lloyd George, bobo de barrete frígio feito de Union Jacks?!
E tu, Venizelos, fatia de Péricles com manteiga, caída no chão de manteiga para baixo?!
E tu, qualquer outro, todos os outros, açorda Briand-Dato-Boselli da incompetência ante os factos, todos os estadistas pão-de-guerra que datam de muito antes da guerra! Todos! todos! todos! Lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem intelectual!
E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados pra baixo à porta da Insuficiência da Época!
Tirem isso tudo da minha frente!
Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra!
Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!
Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!
Se não querem sair, fiquem e lavem-se !
Falência geral de tudo por causa de todos !
Falência geral de todos por causa de tudo !
Falência dos povos e dos destinos — falência total !
Desfile das nações para o meu Desprezo!
Tu, ambição italiana, cão de colo chamado César!
Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem muita corda senão parte-se!)
Tu organização britânica, com Kitchener no fundo do mar desde o princípio da guerra!
(It's a long, long way to Tipperary, and a jolly sight longer way to Berlin !)
Tu, cultura alemã, Esparta podre com azeite de cristianismo e vinagre de nietzschização, colmeia de lata, transbordeamento imperialóide de servilismo engatado!
Tu, Áustria-súbdita, mistura de sub-raças, batente de porta tipo K!
Tu, Von Bélgica, heróica à força, limpa a mão à parede que foste!
Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque se partiu!
Tu, «imperialimo» espanhol, salero em política, com toureiros de sambenito nas almas ao voltar da esquina e qualidades guerreiras enterradas em Marrocos !
Tu, Estados Unidos da America, síntese-bastardia da baixa-Europa, alho da aÁorda transatlântica, pronúncia nasal do modernismo inestético!
E tu, Portugal-centavos, resto de Monarquia a apodrecer República, extrema-unção-enxovalho da Desgraça, colaboração artificial na guerra com vergonhas naturais em África!
E tu, Brasil «república irmã», blague de Pedro Álvares Cabral, que nem te queria descobrir!
Ponham-me um pano por cima de .tudo isso!
Fechem-me isso à chave e deitem a chave fora!
Onde estão os antigos, as forças, os homens, os guias, os guardas?
Vão aos cemitérios, que hoje são só nomes nas lápides!
Agora a filosophia é o ter morrido Fouillée!
Agora a arte é o ter ficado Rodin!
Agora a literatura é Barrès significar!
Agora a crítica é haver bestas que não chamam besta ao Bourget!
Agora a política é a degeneração gordurosa da organização da incompetência!
Agora a religião é o catolicismo militante dos taberneiros da fé, o entusiasmo cozinha-franceza dos Maurras de razão-descascada, é a espectaculite dos pragmatistas cristãos, dos intuicionistas católicos, dos ritualistas nirvânicos, angariadores de anúncios para Deus !
Agora é a guerra, jogo do empurra do lado de cá e jogo de porta do lado de lá!
Sufoco de ter só isto à minha volta!
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas !
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo!
Nenhuma ideia grande, ou noção completa ou ambição imperial de imperador-nato!
Nenhuma ideia de uma estrutura, nenhum senso do Edifício, nenhuma ânsia do Orgânico-Criado!
Nem um pequeno Pitt, nem um Goethe de cartão, nem um Napoleão de Nürnberg!
Nem uma corrente literária que seja sequer a sombra do romantismo ao meio-dia!
Nem um impulso militar que tenha sequer o vago cheiro de um Austerlitz!
Nem uma corrente política que soe a uma ideia-grão, chocalhando-a, ó Caios Grachos de tamborilar na vidraça!
Época vil dos secundários, dos aproximados, dos lacaios com aspirações de lacaios a reis-lacaios!
Lacaios que não sabeis ter a Aspiração, burgueses do Desejo, transviados do balcão instintivo! Sim, todos vós que representais a Europa, todos vós que sois políticos em evidência em todo o mundo, que sois literatos meneurs de correntes europeias, que sois qualquer coisa a qualquer coisa neste maelström de chá-morno!
Homens-altos de Lilliput-Europa, passai por baixo do meu Desprezo ! Passai vós, ambiciosos do luxo quotidiano, anseios de costureiras dos dois sexos, vós cujo tipo é o plebeu Annunzio, aristocrata de tanga de ouro!
Passai vós, que sois autores de correntes artísticas, verso da medalha da impotência de criar!
Passai, frouxos que tendes a necessidade de serdes os istas de qualquer ismo!
Passai, radicais do Pouco, incultos do Avanço, que tendes a ignorância por coluna da audácia, que tendes a impotência por esteio das neo-teorias!
Passai, gigantes de formigueiro, ébrios da vossa personalidade de filhos de burguês, com a mania da grande-vida roubada na dispensa paterna e a hereditariedade indesentranhada dos nervos!
Passai, mistos; passai, débeis que só cantais a debilidade; passai, ultra-débeis que cantais só a força, burgueses pasmados ante o atleta de feira que quereis criar na vossa indecisão febril !
Passai, esterco epileptóide sem grandezas, histerialixo dos espectáculos, senilidade social do conceito individual de juventude!
Passai, bolor do Novo, mercadoria em mau estado desde o cérebro de origem!
Passai à esquerda do meu Desdém virado à direita, criadores de «sistemas filosóficos», Boutroux, Bergsons, Euckens, hospitais para religiosos incuráveis, pragmatistas do jornalismo metafísico, lazzaroni da construção meditada!
Passai e não volteis, burgueses da Europa-Total, párias da ambição do parecer-grandes, provincianos de Paris!
Passai, decigramas da Ambição, grandes só numa época que conta a grandeza por centimiligramas!
Passai, provisórios, quotidianos, artistas e políticos estilo lightning-lunch, servos empoleirados da Hora, trintanários da Ocasião!
Passai, «finas sensibilidades» pela falta de espinha dorsal; passai, construtores de café e conferência, monte de tijolos com pretensões a casa!
Passai, cerebrais dos arrabaldes, intensos de esquina-de-rua!
Inútil luxo, passai, vã grandeza ao alcance de todos, megalomonia triunfante do aldeão de Europa-aldeia!
Vós que confundis o humano com o popular, e o aristocrático com o fidalgo! Vós que confundis tudo, que, quando não pensais nada, dizeis sempre outra coisa! Chocalhos, incompletos, maravalhas, passai!
Passai, pretendentes a reis parciais, lords de serradura, senhores feudais do Castelo de Papelão!
Passai, romantismo póstumo dos liberalões de toda a parte, classicismo em álcool dos fetos de Racine, dinamismo dos Whitmans de degrau de porta, dos pedintes da inspiração forçada, cabeças ocas que fazem barulho porque vão bater com elas nas paredes!
Passai, cultores do hipnotismo em casa, dominadores da vizinha do lado, caserneiros da Disciplina que não custa nem cria !
Passai, tradicionalistas auto-convencidos, anarquistas deveras sinceros, socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores para quererem deixar de trabalhar! Rotineiros da revolução, passai!
Passai eugenistas, organizadores de uma vida de lata, prussianos da biologia aplicada, neo-mendelianos da incompreensão sociológica!
Passai, vegeterianos, teetotalers, calvinistas dos outros, kill-joys do imperialismo de sobejo!
Passai, amanuenses do «vivre sa vie» de botequim extremamente de esquina, ibsenóides Bernstein-Bataille do homem forte de sala de palco!
Tango de pretos, fosses tu ao menos minuete!
Passai, absolutamente, passai!
Vem tu finalmente ao meu Asco, roça-se tu finalmente contra as solas do meu Desdém, grand finale dos parvos, conflagração-escárneo, fogo em pequeno monte de estrume, síntese dinâmica do estatismo ingénito da Época!
Roça-te tu e rojate, impotência a fazer barulho!
Roça-te, canhões declamando a incapacidade de mais ambição que balas, de mais inteligência que bombas!
Que esta é a equação-lama da infâmia do cosmopolitismo de tiros:
JONNART
BÉLGICA
VON BISSING
GRÉCIA
Proclamem bem alto que ninguém combate pela liberdade ou pelo Direito!Todos combatem por medo dos outros ! Não tem mais metros que estes milímetros a estatura das suas direcções!
Lixo guerreiro-palavroso! Esterco Joffre-Hindenburguesco! Sentina europeia de Os Mesmos em excisão balofa!
Quem acredita neles?
Quem acredita nos outros?
Façam a barba aos poilus!
Descasquetem o rebanho inteiro!
Mandem isso tudo pra casa descascar batatas simbólicas!
Lavem essa celha de mixórdia inconsciente!
Atrelem uma locomotiva a essa guerra!
Ponham uma coleira a isso e vão exibi-lo para a Austrália!
Homens, nações, intuitos, está tudo nulo!
Falência de tudo por causa de todos! Falência de todos por causa de tudo! De um modo completo, de um modo total, de um modo integral:
MERDA!
A Europa tem sede de que se crie, tem fome de Futuro !
A Europa quer grandes Poetas, quer grandes Estadistas, quer grandes Generais !
Quer o Político que construa conscientemente os destinos inconscientes do seu povo !
Quer o Poeta que busque a Imortalidade ardentemente, e não se importe com a fama, que é para as actrizes e para os produtos farmacêuticos!
Quer o General que combata pelo Triunfo Construtivo, não pela vitória em que apenas se derrotam os outros!
A Europa quer muito destes Políticos, muitos destes Poetas, muitos destes Generais!
A Europa quer a Grande Ideia que esteja por dentro destes Homens Fortes — a ideia que seja o Nome da sua riqueza anónima!
A Europa quer a Inteligência Nova que seja a Forma da sua Mateira caótica!
Quer a Vontade Nova que faça um Edifício com as pedras-ao-acaso do que é hoje a Vida!
Quer a sensibilidade Nova que reúna de dentro os egoísmos dos lacaios da Hora!
A Europa quer Donos! O Mundo quer a Europa!
A Europa está farta de não existir ainda ! Está farta de ser apenas o arrabalde de si-própria ! A Era das Máquinas procura, tacteando, a vinda da Grande Humanidade!
A Europa anseia, ao menos, por Teóricos de O-que-será, por Cantores-Videntes do seu Futuro!
Dai Homeros À Era das Máquinas, ó Destinos científicos! Dai Miltons à época das Coisas Eléctricas, ó Deuses interiores à Matéria!
Dai-nos Possuidores de si-próprios, Fortes Completos, Harmónicos Subtis!
A Europa quer passar de designação geográfica a pessoa civilizada !
O que aí está a apodrecer a Vida, quando muito é estrume para o Futuro!
O que aí está não pode durar, porque não é nada!
Eu, da Raça dos Navegadores, afirmo que não pode durar!
Eu, da Raça dos Descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir um Novo Mundo!
Quem há na Europa que ao menos suspeite de que lado fica o Novo Mundo agora a descobrir?
Quem sabe estar em um Sagres qualquer?
Eu, ao menos, sou uma grande Ânsia, do tamanho exacto do Possível!
Eu, ao menos sou da estatura da Ambição Imperfeita, mas da Ambição para Senhores, não para escravos!
Ergo-me ante, o sol que desce, e a sombra do meu Desprezo anoitece em vós!
Eu, ao menos, sou bastante para indicar o Caminho!
Vou indicar o caminho!
ATENÇÃO!
Proclamo, em primeiro lugar,
A Lei de Malthus da Sensibilidade
Os estímulos da sensibilidade aumentam em progressão geométrica; a própria sensibilidade apenas em progressão aritmética.
Compreende-se a importância desta lei. A sensibilidade — tomada aqui no mais amplo dos seus sentidos possíveis — é a fonte de toda a criação civilizada. Mas essa criação só pode dar-se completamente quando essa sensibilidade esteja adaptada ao meio em que funciona; na proporção da adaptação da sensibilidade ao meio está a grandeza e a força da obra resultante.
Ora a sensibilidade, embora varie um pouco pela influência insistente do meio actual, é, nas suas linhas gerais, constante, e determinada no mesmo indivíduo desde a sua nascença, função do temperamento que a hereditariedade lhe infixou. A sensibilidade, portanto, progride por gerações.
As criações da civilização, que constituem o «meio» da sensibilidade, são a cultura, o progresso científico, a alteração nas condições políticas (dando à expressão um sentido completo); ora estes ó e sobretudo o progresso cultural e científico, uma vez começado — progridem não por obra de gerações, mas pela interacção e sobreposição da obra de indivíduos, e, embora lentamente a princípio, breve progridem ao ponto de tomarem proporções em que, de geração a geração, centenas de alterações se dão nestes novos estímulos da sensibilidade, ao passo que a sensibilidade deu; ao mesmo tempo, só um avanço, que é o de uma geração, porque o pai não transmite ao filho senão uma pequena parte das qualidades adquiridas.
Temos, pois, que a uma certa altura da civilização há de haver uma desadaptação da sensibilidade ao meio, que consiste dos seus estímulos — uma falência portanto. Dá-se isso na nossa época, cuja incapacidade de criar grandes valores deriva dessa desadaptação.
A desadaptação não foi grande no primeiro período da nossa civilização, da Renascença ao século XVIII, em que os estímulos da sensibilidade eram sobretudo de ordem cultural, porque esses estímulos, por sua própria natureza, eram de progresso lento, e atingiam a princípio apenas as camadas superiores da sociedade.
Acentuou-se a desadaptação no segundo período, que parte da Revolução para o século XIX, e em que os estímulos são já sobretudo políticos, onde a progressão é facilmente maior e o alcance do estímulo muito mais vasto. Cresceu a desadaptação vertiginosamente no período desde meados do século XIX à nossa época, em que o estímulo, sendo as criações da ciência, produz já uma rapidez de desenvolvimento que deixa atrás os progressos da sensibilidade, e, nas aplicações práticas da ciência, atinge toda a sociedade. Assim se chega à enorme desproporção entre o termo presente da progressão geométrica dos estímulos da sensibilidade e o termo correspondente da progressão aritmética da própria sensibilidade.
Daí a desadaptação, a incapacidade criativa da nossa época. Temos, portanto, um dilema: ou morte da civilização, ou adaptação artificial, visto que a natural, a instinctiva faliu.
Para que a civilização não morra, proclamo, portanto em segundo lugar,
A Necessidade da Adaptação Artificial
O que é a adaptação artificial?
É um acto de cirurgia sociológica. É a transformação violenta da sensibilidade de modo a tornar-se apta a acompanhar pelo menos por algum tempo, a progressão dos seus estímulos.
A sensibilidade chegou a um estado mórbido, porque se desadaptou. Não há que pensar em curá-la. Não há curas sociais. Há que pensar em operá-la para que ela possa continuar a viver. Isto é, temos que substituir a morbidez natural da desadaptação pela sanidade artificial feita pela intervenção cirúrgica, embora envolva uma mutilação.
O que é que é preciso eliminar do psiquismo contemporâneo?
Evidentemente que é aquilo que seja a aquisição fixa mais recente no espírito — isto é, aquela aquisição geral do espírito humano civilizado que seja anterior ao estabelecimento da nossa civilização, mas recentemente anterior; e isto por três razões: (a) porque, por ser a mais recente das fixações psíquicas, é a menos difícil de eliminar; (b) porque, visto que cada civilização se forma por uma reacção contra a anterior, são os princípios da anterior que são os mais antagónicos à actual e que mais impedem a sua adaptação às condições especiais que durante esta apareçam; (c) porque, sendo a aquisição fixa mais recente, a sua eliminação não ferirá tão fundo a sensibilidade geral como o faria a eliminação, ou a pretensão de eliminar, qualquer fundo depósito psíquico.
Qual é a ultima aquisição fixa do espírito humano geral?
Deve ser composta de dogmas do cristianismo, porque a Idade Média, vigência plena daquele sistema religioso, precede imediatamente e duradouramente, a eclosão da nossa civilização, e os princípios cristãos são contraditados pelos firmes ensinamentos da ciência moderna.
A adaptação artificial será portanto espontanente feita desde que se faça uma eliminação das aquisições fixas do espírito humano, que derivam da sua mergência no cristianismo.
Proclamo, por isso, em terceiro lugar,
A intervenção cirúrgica anti-cristã
Resolve-se ela, como é de ver, na eliminação dos três preconceitos, dogmas, ou atitudes, que o cristianismo fez que se infiltrassem na própria substância da psique humana.
Explicação concreta:
1. — Abolição do dogma da personalidade — isto é, de que temos uma Personalidade «separada» das dos outros. É uma ficção teológica. A personalidade de cada um de nós é composta (como o sabe a psicologia moderna, sobretudo desde a maior atenção dada à sociologia) do cruzamento social com as «personalidades» dos outros, da imersão em correntes e direcções sociais e da fixação de vincos hereditários, oriundos, em grande parte, de fenómenos de ordem colectiva. Isto é, no presente, no futuro, e no passado, somos parte dos outros, e eles parte de nós. Para o auto-sentimento cristão, o homem mais perfeito é o que com mais verdade possa dizer «eu sou eu»; para a ciência, o homem mais perfeito é o que com mais justiça possa dizer «eu sou todos os outros».
Devemos pois operar a alma, de modo a abri-la à consciência da sua interpenetração com as almas alheias obtendo assim uma aproximação concretizada do Homem-Completo, do Homem-Síntese da Humanidade.
Resultados desta operacão:
(a) Em política: Abolição total do conceito de democracia, conforme a Revolução Francesa, pelo qual dois homens correm mais que um homem só, o que é falso, porque um homem que vale por dois é que corre mais que um homem só! Um mais um não são mais do que um, enquanto um e um não formam aquele Um a que se chama Dois. — Substituição, portanto, à Democracia, da Ditadura do Completo, do Homem que seja, em si-próprio, o maior número de Outros; que seja, portanto, A Maioria. Encontra-se assim o Grande Sentido da Democracia, contrário em absoluto ao da actual, que, aliás, nunca existiu.

(b) Em arte: Abolição total do conceito de que cada indivíduo tem o direito ou o dever de exprimir o que sente. Só tem o direito ou o dever de exprimir o que sente, em arte, o indivíduo que sente por vários. Não confundir com «a expressão da Época», que é buscada pelos indivíduos que nem sabem
sentir por si-próprios. O que é preciso é o artista que sinta por um certo número de Outros, todos diferentes uns dos outros, uns do passado, outros do presente, outros do futuro. O artista cuja arte seja uma Síntese-Soma, e não uma Síntese-Subtracção dos outros de si, como a arte dos actuais.

(c) Em filosofia: Abolição do conceito de verdade absoluta. Criação da Super-Filosofia. O filósofo passará a ser o interpretador de subjectividades entrecruzadas, sendo o maior filósofo o que maior número de filosofias espontâneas alheias concentrar. Como tudo é subjectivo, cada opinião é verdadeira para cada homem: a maior verdade será a soma-síntese-interior do maior número destas opiniões verdadeiras que se contradizem umas às outras.
2. — Abolição do preconceito da individualidade. — É outra ficção teológica — a de que a alma de cada um é una e indivisível. A ciência ensina, ao contrário, que cada um de nós é um agrupamento de psiquismos subsidiários, uma síntese malfeita de almas celulares. Para o auto-sentimento cristão, o homem mais perfeito é o mais coerente consigo próprio; para o homem de ciência, o mais perfeito é o mais incoerente consigo próprio,
Resultados:
(a) Em política: A abolição de toda a convicção que dure mais que um estado de espírito, o desaparecimento total de toda a fixidez de opiniões e de modos-de-ver; desaparecimento portanto de todas as instituições que se apoiem no facto de qualquer «opinião pública» poder durar mais de meia-hora. A solução de um problema num dado momento histórico será feita pela coordenação ditatorial (vide parágrafo anterior) dos impulsos do momento dos componentes humanos desse problema, que é uma coisa puramente subjectiva, é claro. Abolição total do passado e do futuro como elementos com que se conte, ou em que se pense, nas soluções políticas. Quebra inteira de todas as continuidades.
(b) Em arte: Abolição do dogma da individualidade artística. O maior artista será o que menos se definir, e o que escrever em mais géneros com mais contradições e dissemelhanças. Nenhum artista deverá ter só uma personalidade. Deverá ter várias, organizando cada uma por reunião concretizada de estados de alma semelhantes, dissipando assim a ficção grosseira de que é uno e indivisível.
(c) Em filosofia: Abolição total da Verdade como conceito filosófico, mesmo relativo ou subjectivo. Redução da filosofia à arte de ter teorias interessantes sobre o «Universo». O maior filósofo aquele artista do pensamento, ou antes da «arte abstracta» (nome futuro da filosofia) que mais teorias coordenadas, não relacionadas entre si, tiver sobre a «Existência».
3. — Abolição do dogma do objectivismo pessoal. — A objectividade é uma média grosseira entre as subjectividades parciais. Se uma sociedade for composta, por ex., de cinco homens, a, b, c, d, e e, a «verdade» ou «objectividade» para essa sociedade será representada por
a+b+c+d+e
5
No futuro cada indivíduo deve tender para realizar em si esta média. Tendência, portanto de cada indivíduo, ou, pelo menos, de cada indivíduo superior, a ser uma harmonia entre as subjectividades alheias (das quais a própria faz parte), para assim se aproximar o mais possível daquela Verdade-Infinito, para a qual idealmente tende a série numérica das verdades parciais.
Resultado:
(a) Em política: O domínio apenas do indivíduo ou dos indivíduos que sejam os mais hábeis Realizadores de Médias, desaparecendo por completo o conceito de que a qualquer indivíduo é lícito ter opiniões sobre política (como sobre qualquer outra coisa), pois que só pode ter opiniões o que for Média.
(b) Em arte: Abolição do conceito de Expressão, sustituído pelo de Entre-Expressão. Só o que tiver a consciência plena de estar exprimindo as opiniões de pessoa nenhuma (o que for Média portanto) pode ter alcance.
(c) Em filosofia: Substituição do conceito de Filosofia pelo de Ciência, visto a Ciência ser a Média concreta entre as opiniões filosóficas, verificando-se ser média pelo seu «carácter objectivo», isto é, pela sua adaptação ao «universo exterior» que é a Média das subjectividades. Desaparecimento portanto da Filosofia em proveito da Ciência.
Resultados finais, sintéticos:
(a) Em política: Monarquia Científica, antitradicionalista e anti-hereditária, absolutamente espontânea pelo aparecimento sempre imprevisto do Rei-Média. Relegação do Povo ao seu papel cientificamente natural de mero fixador dos impulsos de momento.
(b) Em arte: Substituição da expressão de uma época por trinta ou quarenta poetas, pela sua expressão por (por ex.), dois poetas cada um com quinze ou vinte personalidades, cada uma das quais seja uma Média entre correntes sociais do momento.
(c) Em filosofia: Integração da filosofia na arte e na ciência; desaparecimento, portanto, da filosofia como metafísica-ciência. Desaparecimento de todas as formas do sentimento religioso (desde o cristianismo ao humanitarismo revolucion´srio) por não representarem uma Média.
Mas qual o Método, o feitio da operação colectiva que há de organizar, nos homens do futuro, esses resultados? Qual o Método operatório inicial?
O Método sabe-o só a geração por quem grito por quem o cio da Europa se roça contra as paredes ! Se eu soubesse o Método, seria eu-próprio toda essa geração!
Mas eu só vejo o Caminho; não sei onde ele vai ter.
Em todo o caso proclamo a necessidade da vinda da Humanidade dos Engenheiros!
Faço mais: garanto absolutamente a vinda da Humanidade dos Engenheiros!
Proclamo, para um futuro próximo, a criação científica dos Super-homens!
Proclamo a vinda de uma Humanidade matemática e perfeita!
Proclamo a sua Vinda em altos gritos!
Proclamo a sua Obra em altos gritos!
Proclamo‑A, sem mais nada, em altos gritos!
E proclamo também: Primeiro:
O Super-homem será, não o mais forte, mas o mais completo!
E proclamo também: Segundo:
O Super-homem será, não o mais duro, mas o mais complexo!
E proclamo também: Terceiro:
O Super-homem será, não o mais livre, mas o mais harmónico!
Proclamo isto bem alto e bem no auge, na barra do Tejo, de costas para a Europa, braços erguidos, fitando o Atlântico e saudando abstractamente o Infinito.





Portugal Futurista
Álvaro de Campos
Novembro de 1917


Texto completo en versión original  apañado AQUÍ

Texto completo traducido ao castelán . Este é un magnífico enlace para coñecer toda a obra ensaística de Fernado Pessoa en español. Meu deus! quen tiver tempo só para adicalo á lectura gloriosa deste universo literario que é tan grande que tivo que facer nacer tantos heterónimos como personalidades literarias nel ían medrando. Síntome esgotada só de pensalo.

24/04/12

Urbano Lugrís, poesía en liña





Irmandade entre a poesía dos novísimos (1) e a pintura de Urbano Lugrís a través da enchenta do mar in Colectivo a nave das ideas. Non todo vai ser cachondeo, ou si?

Galería de imaxes ACCIÓN URBANO LUGRÍS


"Con Lugrís tamén queremos facer unha denuncia: a literatura galega é imperialista. Invade e ocupa a noción cultura nacional. Converte a produción artística en letras. Fortalece os seus espazos mentres afoga outros. Nosoutros somos xeneticamente antiimperialistas. Rachemos coas fronteiras do Día das Letras Galegas para crearmos o Día da Artes Galegas. Invadamos toda Galicia de arte, convertamos o Día das Artes Galegas na causa da cultura galega"


ARTE, POLO AMOR DE DEUS! .................TODO O ANO.................TODOS OS DÍAS DO ANO...................OS MECENAS BANCARIOS, INSTITUCIÓNS POLÍTICAS COMANDADAS POR POLITIQUIÑOS PROFESIONAIS E DEMAIS PARÁSITOS QUE METAN O DIÑEIRO NO CÚ..............ESTAMOS SEGUROS QUE O TEÑEN BEN ANCHO PARA QUE LLES CAIBA TODO O QUE ROUBAN A BASE DE EXTORSIÓN E DEPREDACIÓN........FAREMOS DA NOSA ACTIVIDADE UN FENÓMENO RADIOACTVO QUE LLES DESINTEGRE A CARA DE VERGOÑA.................FOLGA INDEFINIDA CONTRA O SILENCIO DOS CASTRÓNS............DISPAREMOS!

(1) Enlace a un pdf poético pictórico con obras de Urbano Lugrís que inspiraron  textos máis que sorprendentes de varias xeracións de poetas en activo. Unha gozada. Non hai moita oferta da pintura de Lugrís na rede, a selección para este traballo é exquisita. Mágoa que o autor das imaxes non permite a súa descarga. 






10/12/11

MÁIS ALÁ




Manuel Antonio e Álvaro Cebreiro


Manifesto "Máis alá" (1922)













I

Sen pretensións de suficiencia doutoral, nin de ningún outro xeito semellante, a rebeldía duns mozos galegos fai esta chamada á Mocidade intelectual da nosaTerra.


Non nos erguemos do xeito que o fan a maioría dos que noutras terras publican manifestos máis ou menos literarios.Case todos eles tencionan arrecadar adeptos para algún novo ismo que aparece querendo ser a derradeira verba da moderna Estética cando, en verdade, non son máis que unha nova proba de que un esnobismo operetesco invade a.Lieratura. Nós tencionamos tan só facer unha protesta forte, densa e implacable contra os vellos.


Os vellos non son os que escribiron hai moitos anos -eles son os devanceiros. Os vellos son os que escriben hoxe como se vivisen no antonte dos séculos. E a lei de sucesividade que nos fai respectar aos devanceiros, é a mesma que nos ergue e move para enterrar os vellos en vida, baixo a lousa inhábil da súa vulgaridade, pola acefalia que supón o desexo de definir co pasado a hora de hoxe. Esta gafuara, de ser leigada a si mesma, debera irse, por exemplo, a Madrid, metrópole peninsular da barbarie civilizada, onde a súa teimosía anti-cronolóxica encadraría moi ben, completando aquel ambiente de inferioridade. Pero é a nosa desgracia que non só non fan iso senón que aínda teñen o pretendemento, que en parte conseguen, de pasar por persoeiros da nosa cultura; e isto con outras cousas máis, é o que non pode seguir sendo.


Non é que nós adoezamos do tan extendido andacio de desbotar o vello por sistema e sen razón, cousa que se ve facer a miúdo ás Juventudes doutras terras. É que xa vai tendo carácter crónico a atrofia de sensibilidade na maioría dos que escriben en galego, e ameázanos o contaixo do pobo se non se atalla o mal. Este contaxio arrepiante será unha realidade se a xeración galega que hoxe medra ó acougo das Irmandades Nacionalistas, chega a tomar por mestres de sensibilidade os nosos prestixos literarios.
Tida en conta a importancia primordial que a Arte ten nos rexurdimentos raciais (miudean os movementos nacionalistas que comenzan polo arredismo artístico) chegaremos a coidar senón fracasado polo menos de remota eficacia o actual movemento rexurdente na Galicia se non se consegue un troque radical no aspecto da nosa Literatura. Porque é pretender andar cos pés atados o tratar de libertarnos dos trabamentos externos sen facer antes o mesmo coa podredume interior.


Os nosos poetas, dende os precursores ata os seus herdeiros actuais, non serviron máis que para embrutecer o noso sentimento. Esta verdade, espallada aos catro ventos, sería o verdadeiro comenzo da loita xeral galeguista. Porque o voluntario castramento espiritual e colectivo que supón na Galicia a existencia do caciquismo, da ignorancia, do renunciamento á vida e á dignidade, cómpre anulalo antes que no terreo polítio-social, no senso estético.
Unha conveniencia estética pura e enxebre é o primeiro paso da volta a nós mesmos. E o máximo crime de lesa patria é un verso dese xeito que pregoan as ras da lagoa académica querendo impor o seu anacrónico croar por riba de toda voz nova, ceibe e ceibista. Porque ese fato de eunucos literarios, de espírito choído e ateigado dunha declamatoira cursilería palabreira, son os que farán arrenegar de si mesmo a calquera bo galego de espírito amplexo e depurado que coide ver neles a alma da raza. Mentres que tódalas culturas europeas foron erguendo, de pouco tempo acá, mausoleos de escuridade encol dese xeito de mortos en vida, que espectáculo é o que damos en Galicia? Momias que fan esculturas á súa imaxe e semellanza. Mentres eles, cinguidos ó pasado, seguen cicelando estatuas feitas, fagamos nós, coas nosas inquedanzas,unha nova figura, grotesca quizais pero nova ó fin, para retábulo dos tempos.


Diciamos no comenzo que respetabamos os devanceiros, pero queremos facer constar que non é nado este respeto nin na admiración nin na inferioridade nosa. Nós non admiramos a ninguén nin nos coidamos inferiores a ninguén. 0 noso respecto vén de que eles non tiveron culpa de vivir nun tempo de choída incultura castelá.
Inda que nos esforzaramos por atopar algo de bo nos precursores, o noso traballo sería infructuoso. Nós non podemos ollar sen carraxe o baixo e noxento ruralismo de Losada. Nin ese interese en converter o galego na fala intérprete de tódalas indecencias e vulgaridades que tiveron Losada e a maioria dos "mestres" menores. Nin a baldeirez verbalista, importación madrileña e con isto xa se di todo, de Curros. Non podemos prestar a nosa louvanza á socorrida e ridícula "posse" do falso romantismo, enfermidade de moda naquel tempo, que chegou a deslucir algunha das páxinas verdadeiramente nosas, grandes e persoais de Rosalía. Nin interesarnos polo estreito xeito de Pondal, que tan só puido ser un imperceptible eco da grandiosidade dos rumorosos e da maxestosa paganía bárdica. 0 herdo dos devanceiros redúcese pois a un exemplo de vontade e patriotismo, espido de toda eficacia literaria como non sexa pola reacción que produce o desagrado.

II


Comenzaremos invocando a Valle-Inclán. Mestre: Chamámoslle mestre por ser vostede o "mestre" da Xuventude Imbécil de Galicia. Noso non; que, endebén, sabemos comparar a súa modernidade coa covardía do débil tan só pode vivir facendo claudicantes concesións ó forte. Non tería o seu nome acolleita nestas liñas se quixeramos tan só chamarlle aquilo. Pero ten que ser ó falar dese fato de cabezas ocas, nenos "foulard e de rubi", engaiolados polo innegable prestigio da prosa e da ridícula mentira dunha epopeia aventureira que vostede, unha e outra, falsifican. Sabemos que con intermedios himnarios ó Gran Pontifice da baldeireza en traxe de festa (Este Gran D. Ramón ...) entran a estrago pola fala meseteira, con gran desprestixio dela, por certo. Tamén sabemos que adoecen de imbecilidade, inxénita ou contaxiada, e que a vostede lle debemos o telos levado para "alá". Isto derradeiro é cousa que nunca ben lle agradeceremos.
Agora, o que quixeramos conseguir da súa incensada personalidade sería que intensificase a campaña castelanizante porque nos arrepía o pensamento de que eles se coidasen chamados por estas nosas verbas de mocidade e chegase algún a desertar de la "lengua de Cervantes" para vir a baldeirar na nosa Fala as produccións do seu serrín encefálico. Esto estaría moi mal. Mal para o castelán, idioma oficial da cursilería, que, polo mesmo ten dereito a aquelas cousas, e mal para o galego, digno de moita mellor sorte. E a vós, pobriños mamaleites literarios, desexámosvos cordialmente que calquera día vos publiquen un verso na derradeira fofia dunha desas indixentes revistas madrileñas, doada palestra dos vosos esforzos, que é o máximo desiderátum voso, Madrid precísavos para personaxes da súa opereta


Hai os que teñén algún valor e desménteno expresándose en castelán. A estes só queremos recomendarlles que escriban en catalán, inglés ou francés. Extranxeira por extranxeira, vale máis unha fala de Europa que a da Meseta. Hai os galegos capacitados para vivir hoxe que, por rutina, seguen ollando para atrás. Porque agardamos a súa conversión, só queremos dicirlles que xa é hora. Hai os dunha certa clase derradeira, dos cales abonda con... non falar deles.

III


Despois de ter dito que non traemos pretensións doutorais nin doutro xeito semellante, xa non cómpre dicir que estamos moi lonxe de querer impor ningunha concreta lexislación estética.
Cansos xa de percorrer camiños vellos e fracasados, temos arrenegado de todos eles; pero non queremos sinalar un camino determinado. A nosa ruta, nos primeiros pasos, quere tan só coñecer por onde non debemos ir: tódolos outros caminos poden ser nosos. A Novidade que enxerguemos é tan só un arredamento, un ceibamento do pasado sen a definición da súa resultanza: isto é arbitrariamente persoal. E aquí cómpre que manifestemos a falla de creto que nos merece a gran parte dos novos "movementos" literarios e artísticos, con ningún dos cales, enténdase ben, queremos que se trabuque a nosa rebeldía. Porque case todos eles esquecen unha daquelas dúas bases. Ou son un negamento non só do pasado se nón de tódolos tempos e tódalas cousas, dende o bo gusto ata a razón máis rudimentosa, ou queren encadrar a estética actualista en dogmáticos preceptos, todo o novos que se queira pero pouco respetosos, dende logo, coa anárquica dilema individual.


Tamén nós temos, inda que noutra orde, os nosos imperativos, e comenzamos pola máis agresiva intrasixencia na Fala. Unha fala que non estea pervertida por académicos nin por puristas; que non sufrise os estancamentos de verdugos armados de gramática que a emparedasen nun feixe de regras como quen garda un mito en sete uchas concéntricas, terá que ser unha fala de inmellorables posibilidades porque o seu estado ceibe permitiralle axeitarse a tódalas navidades, a tódolos variamentos porviristas que tome o noso gusto. E consentiralle o seu indelineamento ser cicelado de xeito que ela sexa un instrumento do artista e non el escravo dela. Pero hai aínda unha razón de orde suprema: a nosa Fala é nosa. Pospola a outra calquera, é unha forma do suicidio. Esta nosa exaltación do Verbo tamén quere dicir algo ós vellos e castelanizantes. Algún deses escribidores híbrido, bilingües queremos dicir, que fan da literatura algo así como un deporte que favorece a dixestión, arrecada o galego cada vez que quere dicir unha estupidez moi grande, reservando o castelán para cando coidan ("eles") que están en razón. A maximidade da devoción que temos pola nosa Fala, pódelles dar a medida do desprecio que sentimos por eles.


Arrenegamos de mestres e dos seus consellos. Toda voz allea tende a excusar a nosa sinceridade,que é sagra porque é a nosa vida e debemos espertala a non ser desleigados a nos mesmos. Arrenegamos da Lei e do Costume. Cada importa alleeira vén roubarlle á nosa mocidade unha á. Arrenegamos dos temas obrigados. É vergoñoso falar da escravitude da Terra, mentres non se teña feito todo o que cómpre por anulala. 0 pranto e a elexía, fixeron coidar ós alleos que somos un pobo de mulleres. Como bos cidadáns da futura República Galega gardemos os nosos cantos patrióticos para o día en que deamos ao vento a súa Bandeira e non poidan ser testigos da cobardía e da mansedume. A literatura paisaxista ó xeito de fotografía iluminada con notas de turista burgués é a maior caloña da nosa paisaxe, que aínda agarda a sensibilidade complexa do noso tempo para ser interpretada. Arrenegamos de toda imitanza. A dos vellos en nome da Vida; a dos nosos en nome da Novidade.

Individualismo

Consagramos a individualidade ata o extremo de desexar que a definición de cada un de nós sexa unha verba: o seu propio nome.

IV


Agora cómprevos dicir, mozos da nosa Terra, se pensades seguir indo costa abaixo polo tempo ou encarados co porvir.Se queredes libertarvos do xerme da vellez e da morte. Se queredes adonarvos da vosa mocidade ou seguir sacrificándoa nun altar de Mitos e Fracasos. Cómpre romper a marcha pola mesma estrada que fagamos cos nosos pasos e afrontar nela unha peregrinaxe sen chegada, porque en cada relanzo do camiño agárdanos unha voz que nos berra: ¡Máis alá!

Fonte : Mil primaveras máis (Roberto Abalde)


Luís Seoane: Os tres soles de Galicia
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